domingo, 29 de junho de 2014

Ai que frio!

Com o passar do tempo parece que a sensação da felicidade se torna cada vez mais rara, não sei ao certo se esta palavra representa exatamente minha relação com a mesma, mas foi a que escolhi para representar ao menos neste momento. Em meio a tanta correria no dia a dia pode ser que ela venha passando desapercebida aos olhos mais desatentos.
 Ultimamente somos tomados por rensposabilidades, cobranças, preocupações, planos, expectativas que nos empurram como uma enxurrada repleta de entulhos jogados pela nossa sociedade que muita das vezes nos faz afogar em nós mesmos e acabamos esquecendo dessa tal felicidade em meio a uma coisa ou outra que nos é imposta.
 No meio dessa tempestade toda é possível se lembrar dos dias ensolarados do verão, houveram dias mais quentes que outros, com certeza. Mas como tirar lá do fundo do baú tal lembrança quando se está sendo bombardeado por raios, trovões, pingos grossos e com um vendaval sacudindo a sua choupana? É simples, mantenha a calma e feche os olhos, mergulhe dentro de você mesmo, afinal ninguém além de você mesmo sabe onde está guardado este tesouro apelidado de felicidade.
Pergunte a si mesmo, “qual foi o meu dia mais feliz?” A resposta virá mais rápido que o ascender de uma lâmpada, ou não. Você pode responder a essa pergunta como aquela  criança que decorou toda a tabuada, tem na ponta da língua e é convicta do que está lhe dizendo ou simplesmente como uma pessoa que acordou atrasada  para a labuta abriu seu  roupeiro e selecionou casualmente com um certo desespero a primeira peça que viu e seu senso aprovou para usar naquele dia.
É bom aproveitar bem o verão, os dias quentes de sol, para que quando o inverno chegar tornando as temperaturas amenas, o nosso interior possa estar aquecido para que não congele junto com tudo aquilo que está pro lado de fora.

sábado, 28 de junho de 2014

Cadê a bengala?

É ligeiramente engraçado e intrigante a forma como a vida passa diante dos nossos brilhantes olhos. Quando crianças o tiquetaquear do relógio é muito lento para a nossa ânsia de tornarmo-nos adultos, chegado o dia tão esperado da maioridade somos surpreendidos pela aceleração instantânea do circular daqueles ponteiros por um painel muitas vezes redondo, e o desejo de muitos se torna inverso, pensamos, “tempo vá mais devagar por favor!”
Ontem eu tinha vinte e três, hoje tenho vinte e quatro e juro que caio na gargalhada (internamente, é claro) quando alguém me pergunta, “vai fazer vinte e cinco ano que vem?”  como se eu detivesse o poder da escolha entre fazer vinte e cinco ou vinte e três. Confesso que optaria pelos vinte e três outra vez, pois sou muito apaixonado pela juventude e cogitar rugas no meu rosto me dão calafrios só de ter um devaneio sobre isso.
Há quem diga que viver no passado é ato insensato, ora o que é bom não nos causa saudade? Ou uma súbita vontade de percorrer novamente aquele caminho que pelos nossos pés já foram trilhados? As vezes optaria pelo ontem, pois já sei como termina o dia, se é com choro ou com alegria. Quanto ao amanhã, nada sei. É mistério, oculto por um tecido espesso que faz minha imaginação cirandar entre curiosidade e medo.
Dadas as atuais circunstâncias, onde me é vetado o poder de tal escolha, resta-me estufar o peito e mentalmente proferir o brado “pro alto e avante!”, e (tentar) me convencer de que o amanhã será melhor que ontem, haverá mais amor, esperança e novas experiências que só a idade “x” poderá me ensinar. Então começo a ver uma luz no fim do túnel e os tão temidos vinte e cinco deixam de ser tão assustadores, afinal nas minhas rugas uns bons cremes darão jeito.





quinta-feira, 26 de junho de 2014

Permita-se.

Presentei-se diariamente com mais sorrisos, mais sonhos, mais esperança, mais banhos de chuva, mais pôr-do-sol, mais amizades, mais loucuras, mais viagens. Quando cito viagens, não é necessariamente o ato do deslocamento de espaço geográfico, mas sim de permitir-se a uma viagem mental, transcender. 
Qual a graça de viver uma vida monótona, de amarguras e reclamações? 
Dispomos de pouco tempo nesse plano, logo o melhor que têm-se a fazer é abraçar o dia que nasce como se fosse um presente único, pois na verdade é. A vida é muito curta para arrependimentos e achismos, imaginar o que poderia ter sido não trará de volta a oportunidade desperdiçada. Resta então encarar os fatos e sorrir para o horizonte pois o raiar do dia vem ali e atrelado a ele uma esperança de dias melhores.
Estamos no ponto alto da melhor estação, o sol do estio vem para aquecer  os corações, trazer novas aventuras, novos amores e incríveis experiências que você irá levar para o resto dos seus dias, isso se você se permitir. Ser jovem é uma dádiva, somos quase donos do mundo, podemos fazer quase tudo e só seremos jovens uma vez nessa vida, então vale mesmo a pena ficar num mar de lamurias enquanto os dias passam, sua juventude e as oportunidades se vão?


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sombra.

As vezes estar sozinho pode te assustar após algum tempo, quando você se dá conta que não há mais ninguém ao seu redor, você pode percorrer sua casa de um lado para o outro e a unica coisa que irá ver será o seu reflexo no espelho, caso você tenha um. 
A solidão é algo extremamente engraçado, pois só a tememos em seu estágio final, nos primeiro minutos vem aquela alegria e a sensação de ser um rei, afinal tudo ali é seu, não há quem lhe perturbar, podemos comer besteiras ou irmos dormir a hora em que bem entendermos. A ideia de fazer algo sem que ninguém possa ver não lhe parece tentadora? 
Após toda essa euforia o tédio aparece sorrateiramente, afinal ficar em casa sozinho com internet e telefone é uma coisa, mas com o auxilio dessas engenhocas você não está inteiramente sozinho. Quando refiro-me à solidão, é de suma importância saber que estes itens estarão ausentes. 
A chegada do tédio te faz andar de um lado para o outro, zapear por todos os canais da TV e não parar em nenhum, você começa assistir um filme, mas o mesmo se torna chato, abre-se um livro, a mão passa pelas páginas sem a menor atenção dos olhos, você só quer ocupar a sua mente com algo, mas não sabe exatamente como.  
Algumas horas se avançam mas parece que há uma estaca prendendo os ponteiros do relógio, o tic tac parece mais lento que o de costume e vagarosamente você se coloca a pensar, lembra de coisas maravilhosas que já viveu, dos amigos da escola com quem não tem mais contato, tira algumas lembranças do fundo do baú que nem você imaginava lembrar, ri, chora… Tenta imaginar o futuro, faz planos na mente e desfaz, mas o que mais soa assustador é pensar em ficar assim para sempre, sozinho, apenas vendo a sombra refletindo no chão.