sábado, 28 de junho de 2014

Cadê a bengala?

É ligeiramente engraçado e intrigante a forma como a vida passa diante dos nossos brilhantes olhos. Quando crianças o tiquetaquear do relógio é muito lento para a nossa ânsia de tornarmo-nos adultos, chegado o dia tão esperado da maioridade somos surpreendidos pela aceleração instantânea do circular daqueles ponteiros por um painel muitas vezes redondo, e o desejo de muitos se torna inverso, pensamos, “tempo vá mais devagar por favor!”
Ontem eu tinha vinte e três, hoje tenho vinte e quatro e juro que caio na gargalhada (internamente, é claro) quando alguém me pergunta, “vai fazer vinte e cinco ano que vem?”  como se eu detivesse o poder da escolha entre fazer vinte e cinco ou vinte e três. Confesso que optaria pelos vinte e três outra vez, pois sou muito apaixonado pela juventude e cogitar rugas no meu rosto me dão calafrios só de ter um devaneio sobre isso.
Há quem diga que viver no passado é ato insensato, ora o que é bom não nos causa saudade? Ou uma súbita vontade de percorrer novamente aquele caminho que pelos nossos pés já foram trilhados? As vezes optaria pelo ontem, pois já sei como termina o dia, se é com choro ou com alegria. Quanto ao amanhã, nada sei. É mistério, oculto por um tecido espesso que faz minha imaginação cirandar entre curiosidade e medo.
Dadas as atuais circunstâncias, onde me é vetado o poder de tal escolha, resta-me estufar o peito e mentalmente proferir o brado “pro alto e avante!”, e (tentar) me convencer de que o amanhã será melhor que ontem, haverá mais amor, esperança e novas experiências que só a idade “x” poderá me ensinar. Então começo a ver uma luz no fim do túnel e os tão temidos vinte e cinco deixam de ser tão assustadores, afinal nas minhas rugas uns bons cremes darão jeito.





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